
Ficha técnica
Sinopse de Sinhá Moça
A história completa da novela de 1986.
Monarquistas e republicanos se enfrentam em Araruna, pequena cidade do interior paulista, em 1886, dois anos antes da promulgação da Lei Áurea. É nesse cenário que se desenrola o amor de Sinhá Moça, filha do Barão de Araruna, ferrenho escravocrata, com o jovem Dr. Rodolfo, ativo abolicionista republicano, em meio às dificuldades da campanha pela abolição dos escravizados.
Sinhá Moça e Rodolfo se conhecem no trem, quando ela, depois de concluir os estudos na capital da província, volta para Araruna. Assim como Rodolfo, ela defende ideias abolicionistas e critica as atitudes do pai, lutando em favor dos negros. Para se aproximar da amada, o rapaz finge ser aliado do Barão a fim de ganhar sua confiança.
Há ainda a trajetória do mestiço alforriado Rafael e sua incansável luta para destruir o Barão, seu verdadeiro pai com uma negra da fazenda. Antes de ser vendido pelo Barão, Rafael fora amigo de Sinhá Moça, com quem partilhou a infância. Ele retorna a Araruna sedento de vingança, sob outro nome, Dimas, e se torna o braço direito do jornalista Augusto, um abolicionista convicto, despertando o amor de Juliana, neta dele.
- núcleo de SINHÁ MOÇA (Lucélia Santos), jovem de temperamento doce, mas personalidade forte. Filha de um rico fazendeiro escravocrata, entra em conflito com o pai por defender veementemente a causa abolicionista:
os pais: CORONEL FERREIRA , o BARÃO DE ARARUNA (Rubens de Falco), rico fazendeiro. Homem autoritário, intransigente e insensível no trato com os escravizados. Uma espécie de líder na região de Araruna, temido por todos. Mantem uma fortuna em ouro escondida na casa grande,
e CÂNDIDA (Elaine Cristina), mulher bela, fina e recatada. Submissa, sofre com os desmandos do marido e com sua tempestuosa relação com a filha
os escravizados da casa: VIRGÍNIA , a BÁ (Chica Xavier), tivera seu filho recém-nascido tirado dos braços pelo Barão e transferiu seu amor maternal a Sinhá Moça, a quem amamentou e trata como uma filha. Ainda sonha em reencontrar o filho desaparecido,
BASTIÃO (Cosme dos Santos), esperto, mas morre de medo do barão. Vive implicando com Bá. Na reta final, descobre ser o filho desaparecido dela,
e ADELAIDE (Solange Couto), dama-de-companhia de Sinhá Moça, protegida por ela. Bela mulata, apaixona-se por um branco
os escravizados da fazenda que sonham em fugir para o quilombo, os irmãos: JUSTINO (Antônio Pompeo), revoltado, odeia os brancos. Apaixonado por Adelaide, não se conforma de ser preterido por um branco,
e FULGÊNCIO (Gésio Amadeu), um tipo dócil, ficou cego pelas mãos do Barão,
o feitor BRUNO (Wálter Santos), homem rude, pau-mandado do Barão, odiado pelos negros. É quem os mantém disciplinados, debaixo de chicote
o CAPITÃO DO MATO (Tony Tornado), temido perseguidor e caçador de escravizados fugitivos, apesar de ser negro. Vai trabalhar para o barão. Ao longo da trama, toma consciência de sua condição, rebela-se e muda de lado, aliando-se a Justino e Fulgêncio.
- núcleo de RODOLFO (Marcos Paulo), jovem advogado, abolicionista. Rapaz de boa índole e pulso firme. Quando volta para Araruna, conhece Sinhá Moça durante a viagem e nasce entre eles um amor levado às últimas consequências. Entra em conflito com o Barão, que desaprova o namoro com sua filha. Ele é o IRMÃO DO QUILOMBO , figura mascarada e misteriosa que à noite, montado em um cavalo, abre as portas das senzalas das fazendas para que os negros fujam para o quilombo:
os pais: DR. FONTES (Mauro Mendonça), advogado de princípios rígidos, prosperou honestamente. No início, trabalhava para o Barão, apesar de não concordar com suas atitudes em relação a escravizados, já que é abolicionista. Ao apoiar os ideais do filho, rompe com o Barão
e INÊS (Neuza Amaral), mulher bondosa e cordata, vive para a família
o irmão caçula RICARDO (Daniel Dantas), diferente dele, é um tipo meio bronco e tímido. Amante da natureza e dos animais, preferiu ficar em Araruna a estudar na capital da província, como Rodolfo. Tem uma paixão platônica pela Baronesa Cândida
os empregados da casa: JUSTO (Grande Otelo), negro alforriado, sujeito simplório mas matreiro, questiona a liberdade. Ao longo da trama, descobre ser o pai do Capitão do Mato,
RUTH (Jacyra Sampaio), também alforriada, cozinheira querida na casa, ajudou a criar Rodolfo e Ricardo,
e BENTINHO (José Prata), vivia na fazenda do Barão e não se conformava de ter nascido um dia antes da promulgação da Lei do Ventre Livre. Comprado pelo Dr. Fontes, ganhou a alforria e a confiança de Rodolfo.
- núcleo de RAFAEL (Raymundo de Souza), filho do Barão de Araruna com a negra MARIA DAS DORES (Dhu Moraes, participação). Cresceu com Sinhá Moça, por quem tem grande afeição. Odeia o Barão, por ele ter desprezado e vendido sua mãe, e promete vingança. Alforriado, mudou de nome, DIMAS , e voltou à cidade disposto a lutar pela causa abolicionista. Vai trabalhar como tipógrafo no jornal da cidade:
o jornalista AUGUSTO (Luís Carlos Arutin), que publica o jornal de Araruna. Abolicionista, abraça a causa e os ideais de Dimas/Rafael e lhe dá emprego em seu jornal
a neta de Augusto, JULIANA (Luciana Braga), bela e romântica, apaixona-se por Dimas/Rafael, mas, a princípio, ele reluta a esse amor.
- núcleo do FREI JOSÉ (Sérgio Viotti), homem caridoso que faz de tudo para apaziguar os ânimos entre abolicionistas e escravocratas em Araruna:
o sacristão BOBÓ (Augusto Olímpio), falastrão e fofoqueiro, um papa-hóstias - literalmente.
- núcleo de ANA DO VÉU (Patrícia Pillar), jovem que passou boa parte de sua vida escondida de todos atrás de um véu, por imposição da mãe carola, que fizera uma promessa. Por causa disso, é motivo de curiosidade, comentários e chacota na cidade. Prometida a Rodolfo, ele desfaz o compromisso assumido entre seus pais, já que ama Sinhá Moça. Ana envolve-se com o irmão dele, Ricardo, que vai consolá-la e acaba apaixonado, sem nunca ter visto seu rosto. Ana quebra o suspense e abandona o véu durante um baile, revelando o belo rosto. Passa a ser cortejada pelos rapazes solteiros de Araruna, especialmente por Ricardo, com quem acaba se casando. Porém, o casamento fracassa:
os pais: MANOEL TEIXEIRA (José Augusto Branco), comerciante próspero, dono de uma taberna e mercearia e de algumas casas de aluguel,
e NINA (Norma Blum), religiosa, fez uma promessa a Santa Rita envolvendo o destino da filha. Temendo as represálias da santa, não permite que ela quebre a promessa - mostrar o rosto em público. Diante da pressão do marido e da filha, aceita que Ana tire o véu no baile
o funcionário na taberna de Manoel, ROBUSTO (Athayde Arcoverde)
o engenheiro EDUARDO (Henri Pagnoncelli), que vem a Araruna montar uma usina de beneficiamento tornando-se sócio de Manoel Teixeira no negócio. Apaixona-se por Ana.
- núcleo dos jovens abolicionistas de Araruna:
JOSÉ COUTINHO (Tato Gabus Mendes), enfrenta o pai escravocrata ao apaixonar-se e casar-se com Adelaide, escravizada do Barão,
MÁRIO (Tarcísio Filho), apaixona-se por Juliana e vai trabalhar no jornal de Augusto,
NINO (Nizo Neto), disputa Ana com Ricardo,
e VILA (Renato Pietro).
- núcleo dos fazendeiros. Apoiam o Barão de Araruna, ou não, de acordo com seus interesses econômicos:
MARTINHO (Fernando José), vai à bancarrota quando o Irmão do Quilombo solta os seus negros, que fogem para o quilombo
COUTINHO (Ivan Mesquita), pai de José, repudia o filho após o casamento dele com Adelaide, a quem não aceita por ser negra. O nascimento do neto o faz amolecer o coração e passa a aceitar o casamento do filho
e EVERALDO (Germano Filho), pai de Mário, não gosta de ver o filho metido com o movimento abolicionista e o repreende por trabalhar no jornal de Augusto.
- demais personagens:
o DELEGADO ANTERO (Cláudio Mamberti), prepotente com os fracos, subserviente diante dos poderosos, defende seu cargo a todo custo. Ao longo da trama, revela-se abolicionista enfrentando o Barão
a escravizada BALBINA (Ruth de Souza), antiga paixão de Justo que estava desaparecida. Caduca, vive em um mundo de fantasia. Na reta final, descobre-se que os dois são os pais do Capitão do Mato
o escravizado PAI JOSÉ (Milton Gonçalves, participação), da fazenda do Barão, morreu no tronco. Descendente de um rei africano, era pai da maioria dos negros da fazenda.

