
Ficha técnica
Sinopse de Terras do Sem Fim
A história completa da novela de 1981.
A exploração do cacau levou para a região de Ilhéus, no sul da Bahia, o progresso e, junto com ele, gente vinda de longe, como o aventureiro João Magalhães, jogador de cartas trapaceiro e falso engenheiro militar; o lavrador Antônio Vítor, o Sergipano, que sonhava ter uma roça de cacau só sua; o advogado Dr. Virgílio, que, esperando enriquecer com facilidade, colocava seus conhecimentos jurídicos a serviço da ambição dos coronéis; e a prostituta Margot, amante de Virgílio. Todos eles esbarraram no conflito entre dois grandes latifundiários.
O Coronel Horácio da Silveira e a família Badaró, querendo ampliar seus bens e seu poder político, disputavam a posse das matas do Sequeiro Grande, situadas entre as suas terras. O Coronel Horácio, ex-tropeiro, havia enriquecido com o plantio de cacau. Já viúvo, casou-se de novo com a bela Ester, moça fina e culta que não o amava e detestava a vida na mata. Ao contratar os serviços de Virgílio, o Coronel Horácio não fazia ideia de que a esposa e o advogado iriam se apaixonar e virar amantes, para o desespero de Margot.
Os Badaró formavam uma das famílias mais ricas e poderosas da região. Enquanto Sinhô Badaró defendia a paz, matando só em casos de extrema necessidade, Juca Badaró, seu irmão, resolvia tudo a fogo e bala. Juca se envolve com Margot, mas é casado com a fofoqueira Olga, bem diferente de Donana, filha de Sinhô Badaró e sua companhia constante. Tida como moça séria e ligada à terra, Donana não gostava de mexericos. Ainda assim, ela não resiste aos encantos de João Magalhães, o falso engenheiro contratado por Sinhô Badaró, que conquista seu coração.
- núcleo do CAPITÃO JOÃO MAGALHÃES (Cláudio Cavalcanti), forasteiro, aventureiro, farsante e jogador profissional. Faz-se passar por engenheiro militar e medidor de terras. Apaixona-se à sua própria revelia. Não imagina que esse envolvimento amoroso o leve a participar das lutas épicas pelo domínio das terras férteis do Sequeira Grande:
o amigo DR. VIRGÍLIO CABRAL (Paulo Figueiredo), advogado recém-formado, enviado a Tabocas para servir ao chefe da oposição local. De maneiras finas, inteligente e sensível, mas ambicioso. Fundamentalmente honesto, não tem a mesma formação dos homens que desde o início se ligaram ao cacau
a protetora de Virgílio, MARGÔ (Maria Cláudia), apaixonada desde os tempos em que ele era estudante. Mulher livre e vivida, não aceita a sua partida, a quem tanto ajudou em outras épocas. Segue-o e vai viver em Tabocas todas as fases de uma dolorosa separação
o parceiro de jogo PEPE (José de Abreu), vigarista e rufião.
- núcleo do CORONEL HORÁCIO DA SILVEIRA (Jonas Mello), o homem mais rico e mais temido da região, chefe político da oposição, com amplo domínio em Ferradas e Tabocas. Viúvo da primeira mulher, com quem teve um filho. De natureza rude, seu sonho é tornar-se o chefe político do lugar e apossar-se das terras férteis – e ainda sem dono – do Sequeira Grande. Virgílio vai trabalhar para ele, servindo-lhe de advogado:
o filho SILVEIRINHA (Edwin Luisi), do primeiro casamento. Não aceita o segundo casamento do pai e frequentemente se assusta com sua rudeza e brutalidade. De caráter fraco, está pronto para fazer valer seus direitos de filho de coronel, desde os mais arriscados, junto com os jagunços, até os mais mesquinhos
a nova mulher ESTER (Sura Berditchevsky), filha de um comerciante de Ilhéus. Foi educada no melhor colégio de freiras da capital. Em situação difícil, aceita casar-se, indo morar na fazenda Bom Nome, nos confins de Ferradas. Sonhava uma vida totalmente diferente da que tem após o casamento. Fraca, melancólica e sensível, não tem condições de suportar seu difícil exílio. Apaixona-se perdidamente por Virgílio e os dois vivem um romance proibido que tende a terminar mal
o amigo DR. JESSÉ FREITAS (Alberto Perez), médico de Tabocas, divide sua profissão com a política, as roças de cacau e as casas que aluga. Sua grande paixão é um grupo de teatro amador, criado, organizado e dirigido por ele, em que também escreve e ensaia peças
o vizinho CORONEL CLEMENTINO (Macedo Neto), fazendeiro
a mucama de Ester, ISALTINA (Eliana Araújo).
- núcleo dos aliados do Coronel Horácio da Silveira:
FIRMO (Felipe Donovan), dono da roça de cacau num ponto estratégico nas matas do Sequeiro Grande. Teimoso e rústico, venera o coronel
TEREZA (Bernadete Di Paula), mulher de Firmo, tem fama de trair o marido, mas na verdade é honesta, doméstica e maternal
BRÁS VELHO (Angelito Mello), dono de uma pequena roça nos limites do campo da luta
JARDE (Adalberto Silva), dono de uma roça próxima ao Sequeiro Grande.
- núcleo do SINHÔ BADARÓ (Carlos Kroeber), viúvo, inimigo político do Coronel Horácio da Silveira. Veio ainda pequeno para a zona do cacau, onde seus pais montaram a fazenda Santana da Alegria, próxima a Tabocas. Homem de muito prestígio na região, onde representa o Governo. De sentimentos nobres e cristãos, é avesso ao sangue. Contra todos os seus princípios, vê-se envolvido na sangrenta luta pela posse das terras do Sequeiro Grande:
a filha DONANA (Nívea Maria), nasceu na fazenda e ficou órfã de mãe bem cedo. De rosto sério e atitudes decididas e recatadas, pouco chegada a futilidades e festas. Interessa-se pelos assuntos da fazenda, zelando sempre pela estabilidade da família. Como braço-direito do pai, lidera a última resistência na disputa do Sequeiro Grande e reúne todas as forças na luta para reconquistar o poderio perdido pelos Badaró. Apaixona-se por João Magalhães e esse romance a muda completamente
o irmão JUCA BADARÓ (Otávio Augusto), homem extrovertido às voltas com jogo e mulheres. Sua figura nervosa e dinâmica retrata seu método direto e impulsivo de agir, sem medir as consequências. Não tem o menor escrúpulo ao mandar assassinar um adversário. De grande importância na luta pelo Sequeiro Grande, é alvo de vários atentados. Vai ter um caso com Margô, que se torna sua amante
a cunhada OLGA (Bárbara Bruno), mulher de Juca, por quem é apaixonada. Incapaz de reagir ao marido, refugia-se na religião, nas queixas intermináveis e na expectativa do futuro
a sobrinha distante MARIA DE SOUZA TELLES , a MARIA SONSA (Thereza Mascarenhas), de educação recatada para a época e o lugar. Donana a leva constantemente à fazenda
o capanga de Juca, ANTÔNIO VÍTOR , o SERGIPANO (Ademilton José), moço simples, dotado de simpatia e determinação. Esconde uma personalidade forte e emotiva, que lhe permitirá, ao longo de sua participação nas lutas pela posse das terras do Sequeiro Grande, desenvolver um processo de completo amadurecimento
a cozinheira RAIMUNDA (Julciléa Telles) filha de uma mulata com o falecido pai do Sinhô Badaró. Cresceu no meio da família, trabalhando como doméstica, com a fisionomia sempre séria e zangada. Rejeita seus pretendentes, a grande maioria de olho na proteção dos Badaró. Não perdoa a diferença de tratamento dispensado a ela, em comparação com Donana, por quem sente uma afeição contraditória. Apaixona-se por Sergipano
seu advogado GENARO TORRES (Germano Filho).
- núcleo da fazenda da família Badaró:
o capataz ARGEMIRO (Isaac Bardavid), já foi jagunço até ganhar uma pequena roça de trinta arrobas. Odiado por todos, obriga as pessoas a trabalharem sempre mais. Tentará de todas as formas se casar com Raimunda para garantir sua entrada definitiva na casa-grande
os jagunços VICENTE (Roberto Montini), um dos maiores sanguinários da região, contratado por Sinhô Badaró na disputa das terras do Sequeiro Grande,
e DAMIÃO (Milton Gonçalves), conhecido como a melhor pontaria em toda a zona do cacau. Fugitivo da polícia, pede abrigo na Fazenda Santana da Alegria e transforma-se no principal capanga dos Badarós. Homem de temperamento límpido, adorado pelas crianças, companheiro dos demais, alegre e pândego,
a filha de Damião (Aray Duarte), menina que ele faz questão de criar. Toma aulas com as moças da casa-grande para se alfabetizar
os funcionários JOÃO GRILO (Haroldo Oliveira), “alugado” de Sinhô Badaró: deve muito na despensa da família e sabe que jamais chegará a pagar sua dívida, estando assim condenado a continuar trabalhando a vida inteira no cacau. Planeja uma festa com os trabalhadores, com a permissão dos patrões, para tentar a fuga,
AMARELO JOAQUIM (Stênio Garcia), apesar de sua condição de “alugado” tem consciência crítica da vida que levam os trabalhadores do cacau: explorados no trabalho e acorrentados por causa do endividamento da vendola das fazendas. Veio do Sergipe e tem um nebuloso parentesco com Sergipano, a quem tenta abrir os olhos quando ele começa a entender-se com Raimunda e a submeter-se aos Badarós. Apaixona-se por Maria Sonsa,
e VIRIATO (Antônio Pitanga), amigo de Damião
o vendeiro JOÃO VERMELHO (Alfredo Murphy), “alugado”, ocupa uma posição intermediária entre o pessoal da plantação e o da casa-grande. É responsável pelas contas dos devedores
ROSA (Regina Nogueira), moça vistosa que habita os sonhos de João Grilo, de Joaquim e de alguns coronéis.
- núcleo do CORONEL MANECA DANTAS (José Lewgoy), amigo e compadre do Coronel Horácio da Silveira, a quem é leal – o que não o impede de manter relações formais e amistosas com os Badaró, exceto nas horas de combate. É proprietário da Fazenda Auricídia – nome de sua esposa –, encravada nas bordas da mata do Sequeiro Grande, entre as terras de Badaró e do Coronel Horácio. Gosta de dedicar-se ao jogo e às aventuras amorosas. Será dos poucos coronéis que conseguem escapar da ruína completa depois da alta do cacau forjada pelos exportadores:
a mulher AURICÍDIA (Thelma Reston), exigente em matéria de galanteios e carícias, apesar de ser uma matrona gorda e preguiçosa. É atendida por seu marido com infinita paciência, o que mantém a paz em sua casa
o filho RUI (Mário Cardoso), está começando sua vida como advogado e ainda não tem clientela. Ganhará evidência ao lutar contra a ação proposta por Silveirinha para derrubar o velho Coronel Horácio da Silveira.
- núcleo do CORONEL TEODORO DAS BARAÚNAS (Sebastião Vasconcelos), proprietário da Fazenda das Baraúnas, nas proximidades da mata do Sequeiro Grande, amigo e aliado dos Badaró. Tipo curioso, trata as mulheres e os amigos da forma mais doce possível, enquanto pratica atos de selvageria contra os empregados e os inimigos. Manda incendiar o cartório para invalidar o registro das terras do Sequeiro Grande, que estavam em nome de seus adversários:
a mulher que acolhe em sua casa AGRIPINA , a VAMPIREZA (Bárbara Fazzio), atraente e notável, especialmente pelos constantes altos e baixos de sua vida. Depois de passar por cabarés de Ilhéus e Tabocas, passa a fazer vida social entre os proprietários de terras, embora contra a vontade das demais esposas. Com a fuga do Coronel Teodoro para outro Estado durante as lutas do Sequeiro Grande, volta à vida antiga. Tenta dar uma autêntica dignidade à vida de Rui Dantas.
- núcleo de CARLOS ZUDE (Fernando Torres), exportador de cacau, representante de uma das principais firmas do ramo. Está sempre procurando um meio de abocanhar uma parte importante do império do cacau. Isto acontece após as lutas pelas terras do Sequeiro Grande, quando se une a outros exportadores e provoca uma alta fictícia do cacau. A repentina inflação leva os cacaueiros às dívidas, para depois dar o bote decisivo, com a baixa brusca do valor da safra:
a noiva JULIETA (Heloísa Milet), moça da melhor sociedade baiana, submissa a ele, bem mais velho do que ela, com quem se casa. Vive em Tabocas e depois em Ilhéus, amenizando sua existência com algumas viagens à capital. Torce para que o marido enriqueça de verdade, e que a leve a morar em outro lugar. É uma pessoa insatisfeita, às vezes deprimida e nostálgica
o amigo de Julieta, SÉRGIO MOURA (Fábio Junqueira), secretário da Associação Comercial. Rapaz sensível, poeta. Ela lhe ensina a conquistar a energia que ele nunca teve. E ele, por sua vez, a ajuda a transformar sua personalidade.
- demais personagens:
PADRE BENTO (Paulo Gonçalves), encarregado da capela de Ferradas. Tem pouca simpatia do povoado, pois cuida pouco dos assuntos religiosos locais, já que está mais preocupado com a construção de um colégio de freiras em Ilhéus
VENÂNCIO (Fernando José), dono do cartório onde estão registrados os falsos documentos de posse do Sequeiro Grande
TONICO BORGES (Edson Silva), alfaiate em Tabocas, dono da melhor alfaiataria da cidade e, ainda, o quartel general das más línguas locais.

